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segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Semana 17 - 1º ano - Ensino Médio -UE Prof. Tomaz de Arêa Leão Filho

ATIVIDADES PARA A SEMANA 17

ATIVIDADE 1: LITERATURA (TERÇA-FEIRA, 25/08)

 Leia o texto de Laura Guimarães (Pág. 147)



Assista ao vídeo sobre os tipos de narrador:https://www.youtube.com/watch?v=Kv5mCy9xrnA


Responda as questões correspondentes na pág. 148 (somente da 1ª até 5ª).

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ATIVIDADE 2: GRAMÁTICA (QUARTA-FEIRA, 26/08)


Hoje, na aula de gramática, continuaremos estudando os adjetivos, mais especificamente os usos do adjetivo no texto. Responda as questões 14, 15 e 16 (pág. 256 e 257).

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ATIVIDADE 3: PRODUÇÃO TEXTUAL- (QUINTA-FEIRA, 27/08)

Durante este mês e parte do mês de julho, vimos exemplos de carta do leitor e como ela é estruturada. Agora é sua vez de produzir! Abra seu livro na pág. 331 e produza uma carta do leitor, conforme é orientado lá.

Caso tenha alguma dúvida, pergunte-me via WhatsApp no dia da aula.


Se você tiver acesso ao WhatsApp, entre no grupo da sua turma para enviar as fotos das atividades respondidas. Os alunos que assim o fazem, recebem a correção da atividade e comentários das respostas no mesmo dia! Caso não tenha, continue deixando suas atividades respondidas na escola, pois elas também serão corrigidas! Mas não deixe de estudar e responder as atividades!

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Semana 16 - 1º ano - Ensino Médio -UE Prof. Tomaz de Arêa Leão Filho

 




ATIVIDADES PARA A SEMANA 16 

ATIVIDADE 1: LITERATURA (TERÇA-FEIRA, 18/08)

Nas aulas anteriores de Literatura, estudamos o miniconto. Você leu os minicontos Apelo (pág. 144) e A Árvore que Pensava (pág. 146). Agora leia esta pequena notícia:



·       O Twitter é uma rede social muito utilizada atualmente.

·           Um CARACTERE corresponde a uma letra, sinal de pontuação, número e até um espaço.


Desafio

Você irá reler o miniconto A Árvore que Pensava (pág. 146). E reescrevê-lo com somente 280 caracteres. Não poderá passar disso!

Lembre-se de que o texto que você irá escrever deverá manter o essencial para ser considerado um conto (personagem, cenário, enredo, conflito, foco narrativo).

Caso tenha alguma dúvida, pergunte-me via WhatsApp no dia da aula.



ATIVIDADE 2: GRAMÁTICA (QUARTA-FEIRA, 19/08)

Ainda sobre o conteúdo de adjetivo, estudaremos os Adjetivos compostos: flexão de número (Pág. 253).


Assista a videoaula:

 


Se não conseguir ver o vídeo acima, clique aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Ulj0iDZirjY

1. Assinale a única alternativa em que os adjetivos compostos estão flexionados adequadamente:

a) calças azuis-marinhos

b) atividades médicos-dentárias

c) blusas verde-claras

d) meninos surdo-mudos

e) lutas grecos-romanas



2. A flexão do adjetivo composto que melhor completa a oração é:

Todos as pessoas imigrantes eram ______________.

a) ( ) afras-descendentes

b) ( ) afrodescendentes

c) ( ) afrosdescendentes

d) ( ) afra-descendentes



Dúvidas??? Procure-me!
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ATIVIDADE 3: PRODUÇÃO TEXTUAL-
(QUINTA-FEIRA, 20/08) 

Abra seu livro na pág. 329 e 330 e releia as 4 cartas do leitor presentes lá. Responda a questões da seção Palavras na Lupa pág. 330 (letras a), b) e c)) .

Caso tenha alguma dúvida, pergunte-me via WhatsApp no dia da aula.


Bom fim de semana!!


segunda-feira, 13 de julho de 2020

Semana 14 - 1º ano - Ensino Médio -UE Prof. Tomaz de Arêa Leão Filho

Olá! Como estão todos vocês? Bem-vindos de volta às aulas.

Espero que estejam todos bem e cuidando-se.

COPIEM AS QUESTÕES E RESPONDAM-NAS EM SEU CADERNO.

Atenção: Este material é composto de atividades para a primeira quinzena de agosto. Cada uma delas corresponde a um dia da semana.


ATIVIDADE 1: GRAMÁTICA (QUARTA-FEIRA, 05/08)

Hoje continuaremos estudando os adjetivos, mais especificamente sua variação de grau (pág. 251). Este conteúdo finaliza na pág. 252 com o quadro dos adjetivos. 


Agora responda:

1. Assinale a alternativa em que o adjetivo está no grau comparativo:

a) ( ) João é o mais esforçado de todos os vendedores.

b) ( ) Maria é extremamente ansiosa.

c) ( ) Minhas avaliações foram dificílimas.

d) ( ) O menos estudioso dentre todos é ele.

e) ( ) Júlio é mais esforçado que eu.



2. Relacione as colunas de acordo com o grau dos adjetivos:




I. Grau superlativo absoluto sintético

II. Grau superlativo absoluto analítico

III. Grau comparativo de igualdade

IV. Grau comparativo de superioridade

V. Grau superlativo relativo de superioridade

VI. Grau superlativo relativo de inferioridade



a) ( ) O caminho é realmente fácil.

b) ( ) Meu carro é o mais completo da categoria.

c) ( ) Minha secretária é mais eficiente do que gentil.

d) ( ) O novo computador é tão sofisticado quanto o antigo.

f) ( ) Tenho um pai riquíssimo.

 

terça-feira, 7 de julho de 2020

Semana 13 - 1º ano - Ensino Médio -UE Prof. Tomaz de Arêa Leão Filho

ATIVIDADES PARA A SEMANA 13

 

Bom dia, alunos!! 
Como estão todos vocês? 
Espero que estejam cuidando-se e estudando também!
😊

ATIVIDADE 1: LITERATURA - (TERÇA-FEIRA, 07/07)


 

Leia o texto Apelo de Dalton Trevisan (pág. 144).



Apelo

Dalton Trevisan


Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.

Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.

Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate 
— meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.

Agora responda as 7 questões da pág. 145. 


Se tiver dúvidas, pergunte-me!
Não se esqueça de enviar a foto da atividade respondida para meu PV quando concluir. 

Até mais!

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Semana 12 - 1º ano - Ensino Médio -UE Prof. Tomaz de Arêa Leão Filho

ATIVIDADES PARA A SEMANA 12

 

Bom dia, alunos!! 
Como estão todos vocês? 
Espero que estejam cuidando-se e estudando também! 😊


COPIE AS QUESTÕES E RESPONDA-AS EM SEU CADERNO.

 

Atenção: Este material é composto de atividades para esta semana. Cada uma delas corresponde a um dia da semana.

 

ATIVIDADE 1: LITERATURA (TERÇA-FEIRA, 30/06)

 


Hoje vamos continuar estudando o Realismo Fantástico! Para isso, releia a seção Panorama: O realismo fantástico ou realismo mágico. (Pág. 139)


Para complementar seus conhecimentos, assista à videoaula:


Se não conseguir assistir ao vídeo acima, clique aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Q6MpSHmsbx0


Agora para testar seus conhecimentos, responda a atividade pág. 142 e 143 (questões 5, 6 e 7).

Se houver dúvidas, podem perguntar no nosso grupo!

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Semana 11 - 1º ano - Ensino Médio -UE Prof. Tomaz de Arêa Leão Filho

ATIVIDADES PARA A SEMANA 11

 

COPIE AS QUESTÕES E RESPONDA-AS EM SEU CADERNO.

 

Atenção: Este material é composto de atividades para a segunda quinzena de junho. Cada uma delas corresponde a um dia da semana.


ATIVIDADE 1: LITERATURA - (TERÇA-FEIRA, 23/06)

 

Assista à videoaula sobre  O realismo fantástico ou realismo mágico.



Se não conseguir assistir ao vídeo acima, clique aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=pvdUVZbnItM


Leitura da seção Panorama: O realismo fantástico ou realismo mágico. (Pág. 139)

Atividade pág. 140 e 141 (1 até a 4).


segunda-feira, 15 de junho de 2020

Semana 10 - 1º ano - Ensino Médio -UE Prof. Tomaz de Arêa Leão Filho

 

ATIVIDADES PARA A SEMANA 10

 

COPIE AS QUESTÕES E RESPONDA-AS EM SEU CADERNO.

 

Atenção: Este material é composto de atividades para a segunda quinzena de junho. Cada uma delas corresponde a um dia da semana.

 

ATIVIDADE 1: LITERATURA (TERÇA-FEIRA, 16/06)




 

Leitura do texto A Jangada de Pedra de José Saramago (Pág. 138 e 137).

Atividade da pág. 138 (questões de 1 a 7).

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Semana 9 - 1º ano - Ensino Médio -UE Prof. Tomaz de Arêa Leão Filho

ATIVIDADES PARA A SEMANA 9

 

COPIE AS QUESTÕES E RESPONDA-AS EM SEU CADERNO.

 

Atenção: Este material é composto de atividades para a primeira quinzena de junho. Cada uma delas corresponde a um dia da semana. 

ATIVIDADE 1: LITERATURA - (TERÇA-FEIRA, 09/06)

 

Leia o texto A Carteira de Crocodilo de Mia Couto (pág. 132) para responder as questões de 1 a 5 (pág. 134)


 A Carteira de Crocodilo

 



A Senhora Dona Francisca Júlia Sacramento, esposa do governador-geral, excelenciava-se pelos salões, em beneficentes chás e filantrópicas canastas. Exibia a carteirinha que o marido lhe trouxera das outras Áfricas, toda em substância de pele de crocodilo. As amigas se raspavam de inveja, incapazes de disfarce. Até a bílis lhes escorria pelos olhos. Motivadas pela desfaçatez, elas comentavam: o bichonho, assim tão desfolhado, não teria sofrido imensamente? Tal dermificina não seria contra os católicos mandamentos?



– E com o problema das insolações, o bicho, assim esburacado, apanhando em cheio os ultravioletas…

– Cale-se, Clementina- .

Mas o governador Sacramento também se havia contemplado a ele mesmo. Adquirira um par de sapatos feitos com pele de cobra. O casal calçava do reino animal, feitos pássaros que têm os pés cobertos de escamas. Certo dia, uma das nobres damas trouxe a catastrágica novidade. O governador-geral contraíra grave e irremediável viuvez. A esposa, coitada, fora comida inteira, incluído corpo, sapatos, colares e outros anexos.

– Foi comida mas… pelo mando, supõe-se?

– Cale-se, Clementina- .

Mas qual marido? Tinha sido o crocodilo, o monstruoso carnibal. Que horror, com aqueles dentes capazes de arrepiar tubarões.

– Um crocodilo no Palácio?

– Clemente-se, Clementina- .

O monstro de onde surgira? Imagine-se, tinha emergido da carteira, transfigurado, reencarnado, assombrado. Acontecera em instantâneo momento: a malograda ia tirar algo da mala e sentiu que ela se movia, esquiviva. Tentou assegurá-la: tarde e de mais. Foi só tempo de avistar a dentição triangulosa, língua amarela no breu da boca. No resto, os testemunhadores nem presenciaram. O sáurio se eminenciou a olhos imprevistos.

E o governador, sob o peso da desgraça? O homem ia de rota abatida. Lágrimas catarateavam pelo rosto. O dirigente recebeu o desfile das condolências. Vieram íntimos e ilustres. A todos ele cumprimentou, reservado, invisivelmente emocionado. Os visitantes se juntaram no nobre salão, aguardando palavras do dirigente. O governador avançou para o centro e anunciou não o luto mas, espantem-se cristãos, a inadiável condecoração d crocodilo. Em nome da protecção das espécies, explicou. A bem da ecologia faunística, acrescentou.

No princípio, houve relutâncias, demoras no entendimento. Mas logo os aplausos abafaram as restantes palavras. O que sucedeu, então, foi o inacreditável. O governador Sacramento suspendeu a palavra e espreitou o chão que o sustinha. Pedindo urgentes desculpas ele se sentou no estrado e se apressou a tirar os sapatos. Entre a audiência ainda alguém vaticinou:

– Vai ver que os sapatos se convertem em cobra…

– Clementina!-

Sucedeu exactamente o inverso. O ilustre nem teve tempo de desapertar os atacadores. Perante um espanto ainda mais geral que o título do governador, se viu o honroso indignitário a converter-se em serpente. Começou pela língua, afilada e bífida, em rápidas excursões da boca. Depois, se lhe extinguiram os quase totais membros, o homem, todo ele, um tronco em flor. Caiu desamparado no mármore do palácio e ainda se ouviu seu grito:

– Ajudem-me!-

Ninguém, porém, avivou músculo que fosse. Porque, logo e ali, o mutante mutilado, em total mutismo, se começou a enredar pelo suporte do microfone. Enquanto serpenteava pelo ferro ele se desnudava, libertadas as vestes como se foram uma desempregada pele. O governador finalizava elegâncias de cobra. O ofídio se manteve hasteado no microfone, depois largou-se. Quando se aguardava que se desmoronasse, afinal, o governador encobrado desatou a caminhar. Porque de humano lhe restavam apenas os pés, esses mesmos que ele cobrira de ornamento serpentífero.

– Não aplauda, Clementina, por amor de Deus!

Falas do velho tuga

Quer que eu lhe fale de mim, quer saber de um velho asilado que nem sequer é capaz de se mexer da cama? Sobre mim sou o menos indicado para falar. E sabe porquê? Porque estranhas névoas me afastaram de mim. E agora, que estou no final de mim, não recordo ter nunca vivido.

Estou deitado neste mesmo leito há cinco anos. As paredes em volta parecem já forrar a minha inteira alma. Já nem distingo corpo do colchão. Ambos têm o mesmo cheiro, a mesma cor: o cheiro e cor da morte. Morrer, para mim, sempre foi o grande acontecimento, a surpresa súbita. Afinal, não me coube tal destino. Vou falecendo nesta grande mentira que é a imobilidade.

Também eu amei uma mulher. Foi há tempo distante. Nessa altura, eu receava o amor. Não sei se temia a palavra ou o sentimento. Se o sentimento me parecia insuficiente, a palavra soava a demasiado. Eu a desejava, sim, ela inteira, sexo e anjo, menina e mulher. Mas tudo isso foi noutro tempo, ela era ainda de tenrinha idade.

Este lugar é a pior das condenações. Já nem as minhas lembranças me acompanham. Quando eu chamo por elas me ocorrem pedaços rasgados, cacos desencontrados. Eu quero a paz de pertencer a um só lugar, a tranquilidade de não dividir memórias. Ser todo de uma vida. E assim ter a certeza que morro de uma só única vez. Mas não: mesmo para morrer sofro de incompetências. Eu deveria ser generoso a ponto de me suicidar. Sem chamar morte nem violentar o tempo. Simplesmente deixarmos a alma escapar por uma fresta.

Ainda há dias um desses rasgões me ocorreu por dentro. É que me surgiu, mais forte que nunca, esse pressentimento de que alguém me viria buscar. Fiquei a noite às claras, meus ouvidos esgravatando no vão escuro. E nada, outra vez nada. Quando penso nisso um mal-estar me atravessa. Sinto frio mas sei que estamos no pico do Verão. Tremuras e arrepios me sacodem. Me recordo da doença que me pegou mal cheguei a este continente.

África: comecei a vê-la através da febre. Foi há muitos anos, num hospital da pequena vila, mal eu tinha chegado. Eu era já um funcionário de carreira, homem feito e preenchido. Estava preparado para os ossos do ofício mas não estava habilitado às intempéries do clima. Os acessos da malária me sacudiam na cama do hospital apenas uma semana após ter desembarcado. As tremuras me faziam estranho efeito: eu me separava de mim como duas placas que se descolam à força de serem abanadas.

Em minha cabeça, se formavam duas memórias. Uma, mais antiga, se passeava em obscura zona, olhando os mortos, suas faces frias. A outra parte era nascente, reluzcente, em estreia de mim. Graças à mais antiga das doenças, em dia que não sei precisar, tremendo de suores, eu dava à luz um outro ser, nascido de mim.

Fiquei ali, na enfermaria penumbrosa, intermináveis dias. Uma estranha tosse me sufocava. Da janela me chegavam os brilhos da vida, os cantos dos infinitos pássaros. Estar doente num lugar tão cheio de vida me doía mais que a própria doença.

Foi então que eu vi a moça. Branca era a bata em contraste com a pele escura: aquela visão me despertava apetites no olhar. Ela se chamava Custódia. Era esta mesma Custódia que hoje está connosco. Na altura, ela não era mais que uma menina, recém-saída da escola. Eu não podia adivinhar que essa mulher tão jovem e tão bela me fosse acompanhar até ao final dos meus dias. Foi a minha enfermeira naqueles penosos dias. A primeira mulher negra que me tocava era uma criatura meiga, seus braços estendiam uma ponte que vencia os mais escuros abismos.

Todas as tardes ela vinha pelo corredor, os botões do uniforme desapertados, não era a roupa que se desabotoava, era a mulher que se entreabria. Ou será que por não ver mulher há tanto tempo eu perdera critério e até uma negra me porventurava? Me admirava a secura daquela pele, 0 gesto cheio de sossegos, educado para maternidades. Enquanto rodava pelo meu leito eu tocava em seu corpo. Nunca acariciara tais carnes: polposas mas duras, sem réstia de nenhum excesso.

Os dias passavam, as maleitas se sucediam. Até que, numa tarde, me assaltou um vazio como se não houvesse mundo. Ali estava eu, na despedida de ninguém. Olhei a janela: um pássaro, pousado no parapeito, recortava o poente. Foi nesse pôr do Sol que Custódia, a enfermeira, se aproximou. Senti seus passos, eram passadas delicadas, de quem sabe do chão por andar sempre descalço.

– Eu tenho um remédio- , disse Custódia. – _É um medicamento que usamos na nossa raça. O Senhor Fernandes quer ser tratado dessa maneira?

– Quero.

– Então, hoje de noite lhe venho buscar- .

E saiu, se apagando na penumbra do corredor. Como em caixilho de sombra a sua figura se afastava, imóvel como um retrato. Na janela, o pássaro deixou de se poder ver. Adormeci, doído das costas, a doença já tinha aprisionado todo meu corpo. Acordei com um sobressalto. Custódia me vestia uma bata branca, bastante hospitalar.

– Onde vamos?

– Vamos- .

E fui, sem mais pergunta, tropeçando pelo corredor. Dali parei a tomar fôlego e, encostado na umbreira da porta, olhei o leito onde lutara contra a morte. De repente, estranhas visões me sobressaltaram: deitado, embrulhado nos lençóis, estava eu, desorbitado. Meus olhos estavam sendo comidos pelo mesmo pássaro que atravessara o poente. Gritei – _Custódia, quem está na minha cama?- Ela espreitou e riu-se:

– É das febres, ninguém está lá- .

Fui saindo, torteando o passo. Afastámo-nos do hospital, entramos pelos trilhos campestres. Naquele tempo, as palhotas dos negros ficavam longe das povoações. Caminhava em pleno despenhadeiro, o pequeno trilho resvalava as infernais e desluzidas profundezas. Me perdi das vistas, mais tombado que amparado nesse doce corpo de Custódia. Voltei a acordar como se subisse por uma fresta de luminosidade. Aquela luz fugidia me pareceu, primeiro, o pleno dia.

Mas depois senti o fumo dessa ilusão. O calor me confirmou: estava frente a uma fogueira. O calor da cozinha da minha infância me chegou. Escutei o roçar de longas saias, mulheres mexendo em panelas. Saí da lembrança, dei conta de mim: estava nu, completamente despido, deitado em plena areia.

– Custódia!- , chamei.

Mas ela não estava. Somente dois homens negros baixavam os olhos em mim. Me deu vergonha ver-me assim, descascado, alma e corpo despejados no chão. Malditos pretos, se preparavam para me degolar? Um deles tinha uma lamina. Vi como se agachava, o brilho da lamina me sacudiu. Gritei: aquela era a minha voz? Me queriam matar, eu estava ali entregue às puras selvajarias, candidato a ser esquartejado, sem dó na piedade. Me desisti, desvalente, desvalido. De nada lucrava recusar os intentos do negro. O homem cortou-me, sim. Mas não passou de uma pequena incisão no peito. Sangrei, fiquei a ver o sangue escorrer, lento como um rio receoso.

Um dos homens falou em língua que eu desconhecia, seus modos eram de ensonar a noite, a voz parecia a mão de Custódia quando ela me empurrava para o sonho. Voltei a deitar-me. Só então reparei que havia uma lata contendo um líquido amarelado. Com esse líquido me pintavam, em besuntação danada. Depois, me ajeitaram o pescoço para me fazerem beber um amargo licor. Choravam, pareceu-me de início. Mas não: cantavam em surdina. Dores de morrer me puxavam as vísceras. Vomitei, vomitei tanto que parecia estar-me a atirar fora de mim, me desfazendo em babas e azedos. Cansado, sem fôlego nem para arfar, me apaguei.

No outro dia, acordei, sem estremunhações. Estava de novo no hospital, vestido de meu regulamentar pijama. Qualquer coisa acontecera? Eu tinha saído em deambulação de magias, rituais africanos? Nada parecia. Verdade era que eu me sentia bem, pela primeira vez me chegavam as forças. Me levantei como uma toupeira saída da pesada tampa do escuro. Primeira coisa: fui à janela. A luz me cegou. Podia haver tantas cores, assim tão vivas e quentes?

Foi então que eu vi as árvores, enormes sentinelas da terra. Nesse momento aprendi a espreitar as árvores. São os únicos monumentos em África, os testemunhos da antiguidade. Me diga uma coisa: lá fora ainda existem? Pergunto sobre as árvores.

Quer saber mais? Agora estou cansado. Tenho que respirar muito. Há tanto tempo que eu não falava assim, às horas de tempo. Não vá ainda, espere. Vamos fazer uma combinação: você divulga estas minhas palavras lá no jornal de Portugal — como é que se chama mesmo o tal jornal? — e depois me ajuda a procurar a minha família. É que sabe: eu só posso sair daqui pela mão deles. Senão, que lugar terei lá no mundo? Traga-me um qualquer parente. Quem sabe, depois disso, ficamos mesmo amigos. Você sabe como eu confirmo que estou ficando velho? É da maneira que não faço mais amigos. Aqueles de que me lembro são os que eu fiz quando era novo. A idade nos vai minguando, já não fazemos novas amizades. Da próxima vez venha com um parente. Ou faça mesmo o senhor de conta que é meu familiar.

Fonte:
Mia Couto. Contos do Nascer da Terra. Vol.1. Porto: CPAC, 1998

 

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Semana 8 - 1º ano - Ensino Médio -UE Prof. Tomaz de Arêa Leão Filho

ATIVIDADES PARA A SEMANA 8

 

COPIE AS QUESTÕES E RESPONDA-AS EM SEU CADERNO.

 

Atenção: Este material é composto de atividades para a primeira quinzena de junho. Cada uma delas corresponde a um dia da semana.

 

ATIVIDADE 1: LITERATURA (TERÇA-FEIRA, 02/06)


 Leia o texto O Edifício de Murilo Rubião (pág. 129) para responder as questões de 1 a 6 (pág. 131 e 132).


 

 

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Semana 7 - 1º ano - Ensino Médio -UE Prof. Tomaz de Arêa Leão Filho

ATIVIDADES PARA A SEMANA 7

COPIE AS QUESTÕES E RESPONDA-AS EM SEU CADERNO.

Atenção: Este material é composto de 3 atividades. Cada uma delas corresponde a um dia da semana.



ATIVIDADE 1: LINGUAGEM - (TERÇA-FEIRA, 26/05)


📖Abra seu livro na seção Panorama (páginas 33 e 34) e leia o conteúdo de Funções da Linguagem. 
📱Assista à videoaula sobre o tema:



Em seguida responda as questões das páginas 34 e 35 (Somente até a 5ª questão).
*-*-*
Ao concluir, envie uma foto do caderno com as respostas no privado pelo WhatsApp. 
_______________________________

                ATIVIDADE 2: LITERATURA - (QUARTA-FEIRA, 27/05)    

📖Leia o trecho do romance “eles eram muito cavalos” (No livro o título também se inicia com letra minúscula!) nas páginas 125 e 126.
✎Em seguida, responda as 4 questões das páginas 126 e 127 sobre o trecho.
Ao concluir, envie uma foto do caderno com as respostas no privado pelo WhatsApp. 


segunda-feira, 18 de maio de 2020

Semana 6 - 1º ano - Ensino Médio -UE Prof. Tomaz de Arêa Leão Filho


ATIVIDADES PARA A SEMANA 6

COPIE AS QUESTÕES E RESPONDA-AS EM SEU CADERNO.

Atenção: Este material é composto de 3 atividades. Cada uma delas corresponde a um dia da semana.

ATIVIDADE 1: LITERATURA 
(TERÇA-FEIRA, 19/05)


Veja a capa do romance Capão Pecado.


Leia a sinopse do livro:

Capão Pecado

Vê-se de tudo em Capão Redondo: um feto jogado na rua vira festa para a criançada, jovens consomem maconha e crack, um gato morre de susto, olhos são arrancados por causa de um velho Monza prateado, um enforcado torna-se atração da vizinhança. A miséria é senhora. As pessoas matam por drogas, por honra, por vingança, por machismo, por um nada. E por amor, vale a pena morrer? Pois em Capão Redondo também se vê o amor, que nasce escondido e cresce proibido, colocando em cheque a amizade de dois rapazes que têm em comum a violência do bairro onde vivem e o interesse por uma morena muito mais esperta do que qualquer um poderia imaginar.

* * *

📖Abra seu livro na página 117. Lá você encontrará um trecho desse romance. Leia-o atentamente para responder o que se pede.

✎    Responda as questões da página 119 (todas as 6 questões)


__________________________________________________
ATIVIDADE 2: GRAMÁTICA 
(QUARTA-FEIRA, 20/05)

Assista à videoaula sobre ESTRUTURA DAS PALAVRAS:





✎Responda as questões referentes a ESTRUTURA DAS PALAVRAS nas páginas 236 e 237 (são ao todo 5 questões).

📷Fotografe a atividade respondida e me envie pelo WhatsApp!

____________________________

ATIVIDADE 3: PRODUÇÃO TEXTUAL
(QUINTA-FEIRA, 21/05)

📖 Leia o Manifesto da Ação da Cidadania (pág. 317 e 318).

✎    Responda as 7 questões entre as páginas 318 e 319.

Ao terminar, digite seu nome completo nos comentários abaixo.  Se não souber como fazer, siga os passos:
1º Clique em Postar um Comentário. 
2º Digite seu nome completo. 
3º Selecione a opção anônimo.
4º Clique em publicar. 

Pronto! 

Até a próxima.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Semana 5 - 1º ano - Ensino Médio -UE Prof. Tomaz de Arêa Leão Filho




ATIVIDADES PARA A SEMANA 5


COPIE AS QUESTÕES E RESPONDA-AS EM SEU CADERNO.



Atenção: Este material é composto por 4 atividades correspondentes aos dias da semana, incluindo o sábado letivo. 


ATIVIDADE 1: LITERATURA 
(TERÇA-FEIRA, 12/05)


Diariamente, assuntos relacionados ao cotidiano acabam virando temas de conversas entre amigos ou familiares: uma festa que aconteceu na noite passada, um acidente de trânsito, um encontro inusitado em um restaurante etc. Esses textos que narram e refletem o dia a dia são chamados de crônica.

📺 Assista à videoaula sobre CRÔNICA:



📖Em seu livro, nas páginas 112 e 113, você encontrará a crônica Ô Copacabana. Leia-a.

✎Responda as questões de 1 até a 5 da página 114. 


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ATIVIDADE 2: LINGUAGEM 
(QUARTA-FEIRA, 13/05)  
                                   
As funções da linguagem são formas de utilização da linguagem segundo a intenção do falante.
Elas são classificadas em seis tipos: função referencial, função emotiva, função poética, função fática, função conativa e função metalinguística.
Cada uma desempenha um papel relacionado com os elementos presentes na comunicação: emissor, receptor, mensagem, código, canal e contexto. Assim, elas determinam o objetivo dos atos comunicativos.
📖            Abra seu livro na página 31. Lá você encontrará o poema A felicidade bate à sua porta. Leia-o.
✎             Responda as cinco questões da página 32. 

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ATIVIDADE 3: PRODUÇÃO DE TEXTO - (QUINTA-FEIRA, 14/05)

 📖Na atividade passada, você leu sobre o gênero textual MANIFESTO e respondeu algumas questões teóricas.  Abra seu livro na página 316 e leia o manifesto nela presente.

       ✎ Responda as questões da página 317 sobre o tema. 

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